O papel das boas obras na vida cristã

Boas ObrasQuero começar com uma breve ilustração. Imagine que um amigo resolva te presentear com um carro super luxuoso, zero km. Ele chega na sua casa, estaciona o carro e te entrega as chaves. Você não sabe muito bem o que fazer, fica feliz e ao mesmo tempo constrangido. Agradece muito ao amigo, chora (especialmente se você for daqueles que amam uma caranga), pula de alegria, mas o constrangimento e um sentimento de dívida ainda insiste em bater à porta. Então você decide fazer algo para tentar aliviar esse sentimento e se sentir melhor, corre para dentro de casa e pega a única nota de 1 real que encontra na carteira, volta ao amigo e lhe entrega dizendo “aceite, por favor, como demonstração de agradecimento”.
No próximo final de semana você convida todos os seus amigos mais próximos para irem à sua casa, inclusive o amigão que te presenteou com o carro novo. Todos ficam maravilhados com a caranga e te perguntam como você adquiriu, afinal, trata-se de um carro muito caro. Você olha para o seu amigo, sorri, e diz “eu e o meu amigão aqui compramos juntos”.

Qual o problema? Não gostou da ilustração? Por quê? Afinal, você contribuiu com a sua nota de 1 real correto?
Como você acha que seu amigo se sentiu? É justo dividir o mérito da compra do carro só pelo fato de você ter contribuído com 1 real?

A minha intenção ao contar essa estória é apresentar uma simples analogia de como nós podemos facilmente cair no mesmo erro ao praticarmos boas obras, mas com motivos errados. Muitas vezes podemos pensar que estamos glorificando à Deus com algo que fazemos, mas se não temos o entendimento correto, podemos na verdade acabar insultando à Deus.

É fato que as boas obras devem fazer parte da vida de qualquer pessoa que professa a fé em Cristo.

Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão. Mt 7:20

Ame o seu próximo como a si mesmo. Mc 12:31

Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos. Ef 2:10

Se temos que praticar as boas obras, como então alguém poderia estar insultando a Deus ao praticá-las?
É simples, apenas pergunte para você mesmo quem está sendo glorificado com o que você está fazendo? Deus ou você?

Jesus dá instruções claras sobre isso em Mateus 6 quando diz:

Tenham cuidado! Não pratiquem boas obras em público somente para serem vistos pelos outros. Se vocês fizerem assim, não receberão nenhuma recompensa do Pai que está no céu. Quando você der alguma coisa a um pobre, não espalhe para todo mundo o que fez. Os hipócritas é que fazem isso nas sinagogas e nas ruas, a fim de receberem elogios das pessoas. Digo a verdade a vocês: Eles já receberam a recompensa que mereciam. Você, entretanto, quando der alguma coisa aos pobres, não deixe nem que a sua mão esquerda fique sabendo o que a sua mão direita fez. Assim a sua esmola vai ficar em segredo; e o seu Pai que vê tudo o que é feito em segredo lhe dará a recompensa. Mt 6:1-4

Absolutamente tudo o que Jesus fez aqui na terra durante a sua encarnação humana foi para a honra e a glória do Pai.

Eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer. Jo 17:4

Ele é o único que poderia se vangloriar em suas obras, afinal, ele é 100% homem e 100% Deus. Mas ele deixou claro que enquanto na condição humana, tudo o que ele fez foi para a honra e a glória do Pai.

Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Col 2:9

Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens …. para a glória de Deus Pai. Fil 2:5-11

Baseando-se nesses fatos bíblicos, voltemos agora à ilustração inicial. A analogia é simples, Deus está representado pelo amigo que presenteia e nós pelo que recebe.
Vivemos numa sociedade cujo “modus operandi” é basicamente fazer para receber. Ou seja, geralmente devemos pagar para recebermos algo. Existe sempre uma troca envolvida. Essa é a economia humana, e desde pequenos somos muito bem treinados nela. Por exemplo, eu mesmo me pego às vezes tentando negociar com meu filho. Ofereço algo que ele gosta e em troca ele come toda a comida.

Entretanto, quando somos introduzidos na economia de Deus, não sabemos o que fazer, pois é totalmente oposta à nossa realidade. Ele nos oferece a salvação GRATUITAMENTE, sem que nós tenhamos que fazer por merecer, e isso nos deixa absolutamente sem chão. A sua graça maravilhosa é algo que não conseguimos compreender, pois seu amor vai além de todo entendimento humano.

Por ser tão oposta à nossa realidade, a economia de Deus nos leva a sairmos da nossa zona de conforto. Ficamos constrangidos perante tão grande demonstração de amor e a nossa tendência é então pensar que devemos fazer algo para pagar para Deus o que ele faz por nós. Quantas vezes ouvimos brincadeiras como “acho que paguei meus pecados agora”. E é a partir desse pensamento que muitos podem escorregar e fazer as boas obras com a motivação errada, pensando que ao fazerem a caridade, estamos de certa forma “pagando” um pouquinho da nossa dívida com Deus.

A bíblia é clara em afirmar que a nossa dívida com Deus não há ser humano que pague, e é exatamente por isso que Jesus Cristo veio e viveu entre nós, como homem mortal, há 2 mil anos atrás. Ele, e somente Ele, viveu uma vida perfeita, para que nós pudéssemos ser reconciliados com Deus pela sua morte e ressureição.

Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da Lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem. Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Rm 3:21-24

Se tentarmos pagar por nossos pecados estaremos insultando a Deus e dispensando o sangue de Jesus derramado por nós na cruz do calvário.

Que as nossas boas obras sejam sempre orientadas a glorificar a Deus.

Com amor em Cristo,

Danilo Alvarenga

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